A obra investiga a tensão entre a rigidez da malha (a estrutura, o código, a norma) e a viscosidade do amorfo (o corpo, o desejo, o estranho). Através de processos generativos, busquei traduzir visualmente o conceito de queerness como um estado de fluxo constante, algo que se recusa a ser fixado em uma categoria binária ou forma definitiva.
Utilizei algoritmos de difusão para explorar morfologias que desafiam a física tradicional. A IA aqui atua como um espelho das multiplicidades, gerando formas que são simultaneamente biológicas e industriais. A composição contrasta a delicadeza da malha translúcida com núcleos densos e vítreos. Essa dualidade reflete o estudo das “políticas da pele” e como as identidades dissidentes se protegem e se revelam através de camadas.
Inspirado por teóricos como Jack Halberstam e Paul B. Preciado, o trabalho questiona a “normatividade da forma”. Ao criar uma estrutura que parece estar em eterno processo de tornar-se (becoming), o design se torna um manifesto visual contra a estática do binarismo.
O resultado é uma estética do “monstruoso-belo”. No contexto do design contemporâneo, este experimento propõe que o futuro da tecnologia deve ser informado pela diversidade radical. Não se trata apenas de criar objetos, mas de desenhar novas possibilidades de existência que habitam o espaço entre o bit e a carne, o rígido e o maleável.



